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Como Publicar Seu Primeiro Livro?

Em continuação do post Bienal do Rio 2015 trago o restante da entrevista, com as autoras nos contando, como foi o processo de publicação de seus primeiros livros. Estão preparadas? Então vamos lá!

Processo de Criação

1- Como foi começar a escrever seu primeiro livro, você imaginava que fosse fazer tanto sucesso?

Camila: Apesar de ser uma leitora compulsiva, eu nunca imaginei que um dia seria escritora, não era algo que se passava em minha cabeça e nunca havia escrito nada com essa finalidade, mas ao passar por um problema pessoal, resolvi usar a literatura e a escrita como forma de suprir a tristeza que sentia naquele momento. Foi algo natural. Na verdade, eu encontrei na escrita uma forma de ocupar a cabeça, foi então que comecei a colocar no papel algumas ideias que tive. Meu primeiro livro, O amor não tem leis, surgiu da paixão que tenho pela faculdade de Direito, onde estou prestes a me graduar. As leis, somadas a predileção por livros eróticos foi meu ponto de partida, e dali surgiu a história de Clara e Ferraz.

Carine: Quando comecei a escrever O Penhasco, sequer sabia se iria conseguir concluí-lo, o que aconteceu depois foi simplesmente incrível!

2- Agora que está sendo bem visada e conquistando cada vez mais fãs, possui uma pressão da editora para que escreva mais livros?

Camila: Não. Eu tenho alguns projetos que pretendo colocar em ordem assim que terminar a faculdade, e apesar da editora estar ciente de todos eles, eu tenho liberdade para trabalhar conforme minha inspiração.

Carine: No momento me cobro mais pelos leitores, não quero deixa-los esperando muito tempo pela continuação.

suma das letras logoeditora cadmo logo

3- Como é a relação com a editora? Te dão total liberdade para escrever sobre o que quer ou antes da publicação alteram seus manuscritos?

Camila: Em todas as três publicações eu tive total liberdade para trabalhar. O livro foi editado, é claro, mas nada que influenciasse no enredo da história e em minhas ideias originais.

Carine: Sim. Possuo total liberdade mas o livro sempre passa por uma revisão, é de praxe.

4- Como foi a sua empreitada até receber o contato da editora e publicar seu primeiro livro?

Camila: Tudo aconteceu muito rápido. Levou um bom tempo para eu acreditar que tudo que estava acontecendo era real. Eu comecei a escrever em novembro de 2013, e em fevereiro recebi o grato e inesperado contato da Suma de Letras para publicação. Nunca pensei que um dia faria da escrita um passatempo, ou que até mesmo seria uma profissão. Com a insistência de um grupo de amigas publiquei os primeiros capítulos no Wattpad, e me surpreendi com o retorno que recebi. Há um ano as leituras não alcançavam números estratosféricos como agora. Era muito difícil manter os leitores presos à história, por isso eu simplesmente não acreditei quando os capítulos postados alcançaram mais de 100 mil leituras. Eu escrevia por paixão, por paixão aos romances, às histórias de amor e amizade, nunca imaginei que um dia seria publicado, e nem passava pela minha cabeça que esse convite surgiria da Suma de Letras, uma editora que já fazia parte da minha estante. Ao todo demorou cerca de 7 meses desde a conclusão do livro até sua chegada às livrarias.

Carine: Comecei a fantasiar com um certo Penhasco antes de dormir e estava numa fase de ler vários livros seguidos, até que decidi escrever o meu próprio, mas apenas para ver se conseguiria concluir. Acabou sendo uma grata surpresa, porque não apenas virou uma trilogia como muitas pessoas elogiaram e me estimularam a seguir em frente. Antes de decidir publicar o livro físico, postei a história no wattpad e me surpreendi com as mais de 100 mil leituras, ainda mais sendo um livro de fantasia.
Foi o carinho dos leitores que me deu a coragem que eu precisava para enviar o original as editoras. Após registra-lo na BN entrei em vários sites e vi quais eram os requisitos de cada uma para receber manuscritos. Umas levaram meses para retornar, outras estou esperando até hoje rs. E algumas pagas e não pagas me deram retorno positivo. Até que veio a Cadmo, e foi a proposta que me pareceu mais interessante.
O processo todo, desde o envio até receber o meu bebê nas mãos levou cerca de um ano.

5- Quais autores você mais gosta?

Camila: Nossa, fazer essa pergunta a um leitor compulsivo é praticamente uma tortura (risos). Sou muito eclética, leio de tudo um pouco, mas, atualmente ando lendo muitos autores nacionais: Juliana Parrini, Babi Barreto, Biia Rozante, Bianca Briones. L.M. Gomes e Manu Torres são alguns exemplos.

Carine: Érico Veríssimo, Lauren Kate, Heather Gudenkauff, Carlos Ruiz Zafon, Gabriel Garcia Marques… São tantos. rs

6- Quais livros e filmes são seus preferidos?

Camila: Romance para ambos, mas nos filmes, também gosto muito das adaptações de H.Q. Marvel são os meus preferidos.

Carine: Não consigo escolher favoritos, então vou dizer os que me marcaram: Harry Potter, Fallen, O Peso do Silêncio, Depois daquela viagem… Filmes: Gladiador, Troia, Senhor dos Anéis, Titanic

7- O que você gostaria de ser, caso não fosse escritora?

Camila: Delegada de Polícia (sou assessora de um rs).

Carine: Eu trabalharia em Hogwarts rs.

8- Pretende publicar mais quantos livros? Ainda tem muitas ideias para histórias futuras?

Camila: Tenho muitas, pelo menos umas 10 esperando um pouco do meu tempo, e se Deus permitir, quero publicar todas.

Carine: Pretendo publicar muitos ainda. Somente de ideias para novas histórias possua umas dez ou doze arquivadas só esperando para nascer.

9- Qual livro você mais gostou de escrever? E por quê?

Camila: Eu amo todos (dúvida cruel rs). Apesar de O amor não tem leis ter sido minha primeira história, eu tenho um carinho imenso por 8 segundos. Pela história se passar no interior do país, recordei muita coisa da minha infância e juventude, como os rodeios, por exemplo, os quais eu sempre frequentei. Também tive ajuda do meu pai, que me deu diversas dicas a respeito da vida no campo, já que ele passou boa parte de sua vida morando na Fazenda. Por isso, eu gosto muito dessa história, por ter mexido com minhas lembranças.

Carine: Gostei muito de escrever Olhar de Fogo porque o fiz enquanto postava os capítulos no Wattpad e diferente de O Penhasco, eu não fazia ideia do que iria acontecer. Apenas fui deixando fluir, o que foi bem interessante.

10- Para você, qual o melhor lugar para escrever? E qual momento costuma lhe ocorrer mais inspiração?

Camila: Sou um pouco desorganizada quanto a isso. Eu escrevo em qualquer lugar e a qualquer hora. Não necessito de uma preparação ou algum local específico para escrever.

Carine: Eu sempre escrevi no meu quarto, trancada com um balde de café. rs A inspiração as vezes aparece sem explicação, mas na maioria das vezes flui nos dias em que estou de bem comigo e com a vida.

 11- Possui ambição de se igualar a algum escritor que lhe serve de inspiração no momento?

Camila: Acredito que, todo profissional deseja crescer cada dia mais e se aperfeiçoar naquilo que faz. E é isso que desejo, aprender com todas as experiências que estou vivenciando e também melhorar minha escrita. Se isso me levar ao patamar de um algum escritor que admiro será consequência, e não algo que eu almejo.

Carine: São tantos autores nacionais fazendo sucesso que fica difícil escolher um só rs. No momento minha ambição é conseguir uma editora maior que me ajude a conquistar cada vez mais leitores e é claro, que gostem cada vez mais das minhas histórias.

Gostaria de agradecer a Carine Raposo e a Camila Moreira pela colaboração e disponibilidade, em responder esse questionário, lhes desejo muito sucesso meninas!!!

Carine Raposo
Carine Raposo
Camila Moreira
Camila Moreira
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Show Maroon 5

O estádio Allianz Park é mesmo enorme, fui de Pista Premium e mesmo chegando apenas meia hora antes da banda entrar, consegui ter uma visão incrível do palco, coisa que jamais seria possível numa casa de show, se eu não chegasse com bastante tempo de antecedência. As pessoas também não estavam amarrotadas uma na outra, na tentativa de colarem na grade, como costumam ocorrer nas pistas de show,  ou seja, o ambiente estava muito agradável, repleto de pessoas civilizadas.

Palco do Allianz Park, momentos antes da banda entrar

A banda não foi pontual, 21h30 e nada, porém não demoraram mais que dez minutos (menos mal). Agora uma coisa que me deixou extremamente irritada nesse show, aconteceu pela primeira vez nesse momento, antes da banda subir ao palco.

Ao invés da plateia começar a gritar algo, chamando a banda, – como sempre ocorre nos shows que já fui – o que ouvi, foi um sonoro “Fora Dilma! Fora Dilma!” An?? O quê?? Fora Dilma?? Nós estamos no show do Maroon 5 e não manifestando nas ruas, façam-me o favor!! Achei RI-DÍ-CU-LO!!! Bando de gente mal educada, sem nenhum respeito com a banda que iria se apresentar!!!

Mas vamos lá, retomando. Daí foram surgindo os integrantes da banda, sendo que o Adam Levine, nosso querido vocalista, gato e sexy, entrou por último, deixando o melhor para o final. Seu visual era de um loiro platinado, calça jeans um pouco justa, camisa cinza e jaqueta jeans (que na segunda música, tirou). Já entrou todo suado e sem fôlego, pude reparar que estava ofegante ao cantar a primeira música, como se tivesse vindo correndo lá de trás até o palco rs.

Maroon 5, durante performance no Allianz Park - São Paulo / 2016
Maroon 5, durante performance no Allianz Park – São Paulo / 2016

Geralmente, nos primeiros momentos do show, para quem está na pista é um caos, porque todos começam a pular e se espremerem igual loucos, querendo ter uma visão maior do que é possível. No entanto, não foi assim que ocorreu no show do Maroon 5 (graças a Deus!), pois além do local ser enorme (sem necessidade de fazerem isso), o público era mais maduro, haviam alguns adolescentes acompanhados de seus pais sim, mas também havia muita gente adulta, que estavam ali por vontade própria e não para acompanhar ninguém menor de idade. Então somado a isso e as brisas refrescantes que sopravam do céu, não passei calor, nem aperto.

Adam Levine, durante perfomance em show no Allianz Park, 17 de Março 2016
Adam Levine, durante performance em show, São Paulo 2016

Sem perder tempo, já começaram a cantar “Animals”. Sim, senti muita emoção nesse primeiro momento!! De todos os momentos do show, a minha parte preferida é essa, quando o artista entra! Porém como boa observadora e crítica que sou, reparei que o Adam estava um pouco sem fôlego (mas já na primeira música?), sua voz saía um pouco falhada, como se estivesse com dificuldade em cantar, mas isso foi passageiro, logo se recuperou, nas próximas canções. 😊

James Valentine, durante performance no Allianz Park - São Paulo / 2017
James Valentine, durante performance no Allianz Park – São Paulo / 2016

A segunda canção foi “One More Night”, minha emoção continuava firme e forte, feliz por estar ali numa noite de quinta-feira, quando deveria estar numa sala de aula da faculdade. O Adam já estava cantando mais tranquilo e tudo estava muito bom. Depois veio “Stereo Hearts”, uma música que eu não conhecia e que sem nenhum pudor, perguntei para a menina do meu lado que estava com seu namorado, que música era aquela (precisava saber, para postar a playlist completa aqui para vocês!). 😜

Depois veio uma das minhas preferidas “Hard To Breathe” 😍 e outra vez, uma que eu não conhecia “Lucky Strike”, depois minha não tão preferida “Wake Up Call” e outra desconhecida que não curti muito “Love Somebody”. Três músicas não muito legais seguidas, não estava me agradando rs. Daí para minha alegria, a próxima foi “Maps”! ❤️

Durante essas canções, percebi que a platéia também deu uma desanimada, até eu desanimei um pouco na verdade, afinal haviam outras músicas singles, como “Makes Me Wonder”, “Won’t Go Home Without You”, “Goodnight Goodnight” que poderiam ter sido cantadas e foram desprezadas, dando lugar a essas outras que eu (e provavelmente muitas outras pessoas), não conheciam ou não gostavam (exceto Maps que acho incrível).

Então, a plateia só foi se animar novamente, quando eles cantaram “This Love” no estilo de acapela primeiramente, fazendo com que todos nós cantássemos juntos com a banda. Foi um momento mágico! Depois do breve começo, recomeçaram com a batida original. MARAVILHOSO!

Adam Levine durante performance no Allianz Park - São Paulo / 2016
Adam Levine durante performance no Allianz Park – São Paulo / 2016

Depois vieram “Sunday Morning”, “Payphone”, “Daylight” e uma outra que eu não conhecia “Lost Stars”. Depois dessas, o show acabou, o Adam se despediu e todos saíram do palco. Pelo menos foi isso que quiseram que pensássemos. Logo percebi que era mentira, pois como poderiam ir embora sem cantar a minha preferida “She Will Be Loved”?! O palco ficou escuro, e novamente a plateia idiota, ao invés de gritar por alguma música que eles ainda não haviam cantado (sempre fazem isso em shows, quando a banda ameaça ir embora), começaram a gritar novamente o tal “Fora Dilma” ou “Fora PT” revezando entre essas duas frases. Olha só, quero deixar bem claro que não sou petista, assim como todo o Brasil estou indignada com as falcatruas que estão ocorrendo em nosso país, mas ficar dizendo isso num show de uma banda, é idiotice demais!!! Ali não era o lugar e nem a hora!! Fiquei torcendo para que a banda não estivesse entendendo nada do que estava sendo dito, mas acho que entenderam sim e assim como eu, ficaram desapontados, pois voltaram sem nenhuma visível animação e começaram a cantar “She Will Be Loved” sem mais delongas. Depois, para finalizar o show (agora era sério) cantaram “Moves Like Jagger” (não poderia faltar) e “Sugar” (todos se animaram demais nessa última).

Show encerrado, a banda toda se despediu dessa vez. Jogaram alguns objetos para a plateia (pareciam bonés), que não consegui identificar ao certo o que era, pois foi do lado oposto ao meu. O Adam, ao dizer suas últimas palavras, jogou o microfone para o alto, caindo com estrondo no chão do palco rs.

Foi os caras do Maroon 5 saírem do palco, que novamente a multidão começou a gritar xingamentos ao PT, Ahhh tenha dó!! 😡 Povo ridículo! Cadê que esses manifestantes de sofá estavam na Paulista gritando aquilo? Qual o sentido de você ser um manifestante num show de uma banda que nem brasileira é?! Minha vontade era de mandar todo mundo calar a boca e respeitarem os músicos que não tinham nada a ver com a situação do país. Desnecessário!!

Aliás, voltando a falar do show, gostaria de fazer algumas observações:

  • Houve uma pequena falha por parte da organização do evento, pois no início, enquanto o Adam cantava a segunda/terceira música, os telões começaram a falhar, para depois apagarem de vez, deixando o pessoal das arquibancadas sem visão nenhuma, até que voltasse a funcionar de novo;
  • Outra coisa, algumas vezes eu olhava para o Adam do telão – pois mesmo que eu estivesse bem próxima do palco, pelo telão podia ver claramente suas expressões faciais – e determinado momento, reparei algo totalmente inusitado! Sua calça estava com vários rasgos no meio das pernas!! Hahahaha. Obviamente não mostrava nada demais, não era aquele rasgo espalhafatoso, mas era aquele de calça gasta, que já devia ter sido trocada por uma nova há muito tempo! Hahaha;
Calça rasgada Adam Levine
Calça rasgada Adam Levine

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  • O Adam fazia alguns movimentos “suspeitos”, rebolava e colocava a mão na cintura de maneira muito afeminada rs, sem contar que algumas vezes, mexia sua mão a esmo. Achei aquilo um pouco gay rsrs;
  • O guitarrista, James Valentine é mesmo um amor! Mesmo sem microfone, interagia com a plateia à sua maneira, passeava pela lateral do palco e tocava sorrindo para nós.

Bom… acho que é isso. De modo geral eu gostei do show e iria de novo com certeza! Quem quiser acrescentar nos comentários suas impressões também, fiquem a vontade!

James Valentine, em performance em São Paulo, 17 de Março 2016
James Valentine, performance em São Paulo, 17 de Março 2016

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Crônica – O Ator Promissor

Lá se foi mais um cansativo dia de trabalho e Júlia já se encontrava dentro do metrô, feliz por ir embora. Em determinada estação, entrou João, um moço sofrido e convincente em pedir esmolas. Júlia que nunca acreditou em histórias contadas por pedintes, não pôde deixar de reparar no rapaz, que possuía agonia e tristeza entranhadas em sua fisionomia e voz.

 
 João trazia alguns documentos em mãos, os quais erguiam pra que todos vissem como se fossem machucados em sua pele. Ele contou uma breve história em voz alta, sem se importar com a humilhação ou vergonha em revelar sua vida privada. 
 
O rapaz narrou tristemente sua falta de sorte em vir para São Paulo, acompanhado de sua família, com uma falsa proposta de emprego. Estava prestes a ser despejado, mas tudo o que mais queria naquele momento, era arrecadar um pouco de dinheiro para poder jantar com sua família mais tarde. 
 
A forma como João pronunciava as palavras, transmitia a todos sinceridade e um grande pesar por estar naquela situação, o rapaz foi tão comovente, que todos os presentes se calaram para ouvi-lo. Ele era pai de família, e sua esposa e filhos, o aguardavam fora da estação, enquanto ele tentava garantir o sustento daquela noite. 
 
Durante sua narrativa, João fazia das suas finanças um livro aberto, revelando de forma lúdica o valor exato que já havia arrecadado, mostrando as notas em sua mão, para logo depois contabilizar o quanto ainda restava.
 
Haviam lágrimas nos olhos dele e tristeza em seu tom. Enquanto falava, pessoas o interceptavam em silêncio, lhe dando pequenas quantias, mas com grande satisfação em ajudar. Júlia que nunca cedeu a um pedido de esmola antes, queria poder ajudá-lo, mas estava desprevenida naquele dia. 
 
Quando restava apenas R$10 para atingir seu objetivo, toda a plateia sentiu uma grande pressão. João anunciou choroso que faltava pouco, mas ninguém mais estendia a mão. Será que mais ninguém o ajudaria? Fez se aquele silêncio digno da pergunta final do show do milhão. 
 
Apenas R$10! João repetia agoniado, deixando todos os que ouviam constrangidos pela falta do dinheiro. Até que de repente, um jovem rapaz lhe presenteou com uma nota R$20! Todos bateram palmas!
 
Coincidentemente, nesse momento chegou à estação em que Júlia desembarcaria. Na plataforma, chamou João e lhe disse que sentia muito e que queria muito ter conseguido ajudá-lo na “vaquinha”. João, tocado com a bondade da moça, disse que poderia ajudá-lo se lhe conseguisse um emprego de verdade, talvez onde ela trabalhasse, quem sabe. Júlia achou seu pedido um pouco ousado, não sabendo se seria prudente, indicar uma pessoa que na verdade não sabia nada, além de um discurso emotivo no metrô. De qualquer forma, ficou com seu contato e disse que veria o que poderia fazer. 
 
Semanas, meses, ou até mesmo anos depois, Júlia se deparou novamente com João, naquela mesma situação, contando sua triste história de vida dentro do metrô, enquanto o transporte andava de estação a estação. Estupefata com a grande cara de pau do rapaz, não deixou que ele a visse, devido à grande vergonha que sentiu, por ter se deixado enganar por ele. 
 
Seria mesmo João mentiroso? Um promissor a carreira de ator? Ou um azarado sofredor, que ainda não tinha conseguido se levantar, daquela possível tragédia que narrava??
 
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Boa Noite, Mamãe

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Título Original: Ich Seh, Ich Seh

Ano: 2016

Categoria: Terror

Primeiramente, quero deixar bem claro que haverá spoiler nesse post. Então se você não quer ler umas boas verdades, melhor sair dessa página agora. Me sinto totalmente lesada e indignada, por ter desperdiçado o meu tempo e o meu dinheiro assistindo à esse filme no cinema. Repleto de cenas patéticas, possui um enredo totalmente parado, sem graça, e ainda com uma história sem pé nem cabeça.

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Para começo de conversa, a sinopse é uma grande mentira! Te faz acreditar que verá na tela uma história impressionante, achando até que o mal está encarnado no corpo da mãe e que as duas crianças são as vítimas. Sendo que é totalmente o contrário. Felizmente pude perceber isso, não muito tempo depois da sessão começar, mas aí já era tarde, já tinha pago pelo ingresso, e o jeito era assistir até o final para ver o que ia dar (quem sabe assim, amenizasse mais a sensação de dinheiro jogado no lixo). Logo de início, reparei que a mãe, não se dirigia ao segundo filho, o tal “Lukas” tão mencionado nas cenas. Hummm, aí tem, desconfiei logo de cara e no final do filme, aquilo que eu já sabia, foi confirmado. Muito previsível.

boa noite mamae cena da janela

A mãe, coitada, uma mulher num momento pós cirúrgico, querendo ficar na dela, sem papo, sem bagunça, sem barulho, algo totalmente aceitável e compreensível. Não vi nada demais nas cenas em que se via claramente a intenção de deixar o telespectador desconfiado das suas atitudes estranhas. Mas me diz, quem não é estranho aos olhos dos outros, que não sabem o que se passa dentro de você?

Quando ela brigava com Elias e o deixava de castigo, meu Deus, nada mais normal que uma mãe irritada querendo disciplinar seu filho. Que aliás, era uma criança muito perturbada e problemática, fazendo as maiores atrocidades com a mãe, por acreditar que em seu corpo, fosse outra pessoa muito parecida com ela.

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Se você curte filmes com tortura, vá em frente! Vai adorar! Já eu, detesto, ainda mais quando é com a própria mãe, francamente quanta obscenidade! Aliás, se você for um bom observador, irá perceber que o menino é xarope desde o começo, simplesmente por colecionar baratas! Que pessoa normal as manteriam num recipiente, como se fossem bichos de estimação?! Segundo, uma criança normal enterraria o gato morto, e não o colocaria em um aquário cheio de formol, como se fosse um experimento sendo conservado.

Quando o moleque revelou à todos que o assistiam, que afinal era ele o vilão da história, a minha vontade foi de chorar, juro, fiquei com pena de ver a mãe sofrendo nas mãos de uma criança louca, com sérios problemas mentais. Confesso que eu tinha a vasta esperança, da mãe conseguir se salvar, e o menino cair em si de toda a loucura que estava fazendo, mas não. Aquele final foi ainda pior que o filme inteiro! É só prestarem atenção na capa do filme, a capa já diz tudo! Não é estranho uma sinopse falar mal da mãe, quando na capa temos dois meninos com cara de doidos?! Bom, o spoiler acabou nem sendo tão profundo assim, então vai lá, pode se arriscar, só não diga que eu não avisei.

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Publicado em Crônicas

Crônica – Inimiga Disfarçada

Eu chego de mansinho, aos poucos vou me instalando em você, assim como quem não quer nada.
Primeiro faço você pensar que sou a querida pressão baixa, você sua um pouco, começa a sentir uma fraqueza e fica esperando pela tontura. Obviamente não deixo isso acontecer, quero que tenha dúvidas mas não a certeza. Paro por aí. Por enquanto.

Depois lhe causo um leve enjoo, leve apenas por um momento, depois vou aumentando gradativamente seu mal estar, de uma forma que você nem consiga ficar quieto sentado. Ainda não sabe quem sou eu? Tudo bem, se souber assim tão rápido também, perde a graça.

Ainda achando que é pressão baixa e que está fraco, você tenta comer algo, acreditando que isso irá ajudar, mas meu amigo, essa sou eu, má, perversa, não é um petisco que vai me acalmar.

No último estágio você está desesperado para saber o que sou, para poder quem sabe por um fim nisso! Corre até o banheiro e acha que colocando tudo para fora irá resolver, tudo bem, pode resolver por um tempo, mas não até que eu determine que basta. Você vomita uma, duas vezes e continua sem entender o que está acontecendo. Me deixando cada vez mais satisfeita.
Será algo estragado que comeu? Será começo de dengue? Não meu amigo, ainda está frio.

No dia seguinte tenta me tapear evitando de comer algo o dia inteiro. Você não é de ferro e uma hora vai se entregar. Como sei das coisas e te conheço muito bem, sabia que ia acabar se rendendo a um bom jantar.
Novamente entro em ação, dessa vez pior, afinal quero descontar a raiva por ter me evitado o dia todo. Você não vai ao banheiro dessa vez, se esforçando em conviver comigo. Admiro sua coragem, pena que é inútil.
Não resiste a mim e vai dormir, quem sabe assim amenize a dor. Tudo bem, pode descansar, amanhã te pego de novo.

No terceiro dia você já amanhece na neura, achando que é gravidez, claro, enjoo frequente é um dos sintomas de bebê a bordo. Mas não, você ainda não me descobriu.

Infelizmente meu divertimento se aproxima do fim quando você resolve ir ao médico, pois lá me descobrem com facilidade. Droga! Odeio as pessoas de branco! Ainda assim terá que aprender a conviver comigo, pois mesmo se medicando estarei sempre à espreita, quando se estressar ou esquecer do remedinho. Essa sou eu, prazer gastrite.

Nota da autora:

A crônica foi criada por mim mesma, num momento de sofrimento enquanto minha gastrite estava atacada, como uma amiga me disse, “algo bom, saiu de uma coisa ruim”, dedico à todos que também sofrem desse mal.