Publicado em Crônicas

Crônica – Inimiga Disfarçada

Eu chego de mansinho, aos poucos vou me instalando em você, assim como quem não quer nada.
Primeiro faço você pensar que sou a querida pressão baixa, você sua um pouco, começa a sentir uma fraqueza e fica esperando pela tontura. Obviamente não deixo isso acontecer, quero que tenha dúvidas mas não a certeza. Paro por aí. Por enquanto.

Depois lhe causo um leve enjoo, leve apenas por um momento, depois vou aumentando gradativamente seu mal estar, de uma forma que você nem consiga ficar quieto sentado. Ainda não sabe quem sou eu? Tudo bem, se souber assim tão rápido também, perde a graça.

Ainda achando que é pressão baixa e que está fraco, você tenta comer algo, acreditando que isso irá ajudar, mas meu amigo, essa sou eu, má, perversa, não é um petisco que vai me acalmar.

No último estágio você está desesperado para saber o que sou, para poder quem sabe por um fim nisso! Corre até o banheiro e acha que colocando tudo para fora irá resolver, tudo bem, pode resolver por um tempo, mas não até que eu determine que basta. Você vomita uma, duas vezes e continua sem entender o que está acontecendo. Me deixando cada vez mais satisfeita.
Será algo estragado que comeu? Será começo de dengue? Não meu amigo, ainda está frio.

No dia seguinte tenta me tapear evitando de comer algo o dia inteiro. Você não é de ferro e uma hora vai se entregar. Como sei das coisas e te conheço muito bem, sabia que ia acabar se rendendo a um bom jantar.
Novamente entro em ação, dessa vez pior, afinal quero descontar a raiva por ter me evitado o dia todo. Você não vai ao banheiro dessa vez, se esforçando em conviver comigo. Admiro sua coragem, pena que é inútil.
Não resiste a mim e vai dormir, quem sabe assim amenize a dor. Tudo bem, pode descansar, amanhã te pego de novo.

No terceiro dia você já amanhece na neura, achando que é gravidez, claro, enjoo frequente é um dos sintomas de bebê a bordo. Mas não, você ainda não me descobriu.

Infelizmente meu divertimento se aproxima do fim quando você resolve ir ao médico, pois lá me descobrem com facilidade. Droga! Odeio as pessoas de branco! Ainda assim terá que aprender a conviver comigo, pois mesmo se medicando estarei sempre à espreita, quando se estressar ou esquecer do remedinho. Essa sou eu, prazer gastrite.

Nota da autora:

A crônica foi criada por mim mesma, num momento de sofrimento enquanto minha gastrite estava atacada, como uma amiga me disse, “algo bom, saiu de uma coisa ruim”, dedico à todos que também sofrem desse mal.

Autor:

Graduada em Jornalismo, apaixonada por música, livros, filmes e séries. O espírito Jovem me domina & adoro uma Diversão!

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