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Bordel Brasil

Temporada: 12 de fevereiro a 16 de abril

Local: Teatro Zero Hora Ribalta

Categoria: Drama Musicado

Texto e Direção: Renato Alves | Fagulhas D’Arte

Hoje estou aqui para falar de um espetáculo teatral maravilhoso que irá estrear dia 12 de fevereiro, sexta-feira, às 21h (horário sujeito a alteração, diante desta pandemia), na Bela Vista, em São Paulo. BORDEL BRASIL é aquele espetáculo que veio para chocar! Também polemizar e ao mesmo tempo emocionar, ensinar e divertir. Completamente contemporâneo, cita diversas questões sociais que jamais deveriam ser ignoradas, seja na arte ou em sociedade.

Elenco de Bordel Brasil

O espetáculo mostra de forma intensa a realidade e o universo dos garotos e garotas de programa. O que os levaram a parar naquele mundo, seus traumas, suas motivações, seus medos e esperanças. Apesar de parecer um musical, Bordel Brasil é um espetáculo musicado. Repleto de muita música, danças coreografadas e um pouco de canto, tudo na medida certa para te impressionar e encantar. O espetáculo está tão lindo, artístico e poético, que até mesmo nós, do elenco, gostaríamos de poder assisti-lo, se não estivéssemos dentro dele atuando.

Conheça os Personagens

Madame Bordô

Bordel Brasil é a casa da Madame Bordô, a misteriosa personagem que busca resgatar os garotos e garotas de programa de situações difíceis e traumatizantes, os transformando em força para continuarem seguindo a vida, ao levá-los para um recomeço no Bordel Brasil.

Lili

Toda saliente e ao mesmo tempo doidinha, Lili é uma jovem que conheceu cedo os prazeres da vida. Ainda que viesse de uma criação extremamente religiosa, sempre foi bastante assanhada e imprudente. Considerada o respiro cômico do espetáculo, foi parar no Bordel Brasil após vivenciar uma situação pra lá de inusitada!

Joana / Lola

Joana era uma menina doce, inocente e, como toda criança, não tinha muito discernimento do que acontecia ao seu redor. Somente anos depois, mais velha, pôde entender o seu grande trauma de infância. Resgatada pela Madame Bordô, hoje se chama Lola!

Gadreel

Gadreel sempre foi incompreendido por todos à sua volta e a ignorância alheia faz com que as pessoas adotem atitudes extremas, que nem sempre são as mais corretas a serem adotadas.

Charlotte

Charlotte já teve uma vida comum, estável e tranquila. Até que um dia, sem mais nem menos, algo aconteceu. Quando não se via mais com forças para seguir, foi resgatada por Madame Bordô, que a levou para um renascimento das cinzas.

Guto

Guto é um rapaz muito peculiar. Viciado em sexo, encontrou na prostituição uma maneira de saciar as suas vontades e desejos. Porém, a vida que escolheu lhe trouxe algumas surpresas.

Lilith

Lilith sofreu na pele as consequências de confiar na pessoa errada e ter a sua vida arruinada por conta disso. Quem a enganou? O que de fato aconteceu? Só assistindo ao espetáculo para saber.

Jefferson

Jefferson é aquele macho escroto de balada. Completamente infeliz com a sua vida sexual, chegou no bordel para consumir e não trabalhar. No entanto, uma reviravolta surpreendente lhe aconteceu.

Histórias marcantes e surpreendentes, que tocam na ferida da sociedade, são retratadas de maneira poética durante todo o espetáculo. Despertará em você muitas reflexões e emoções que você nem sabia que estavam ali. É possível até que você se identifique com algum dos personagens ou até mesmo se lembre de alguém que também tenha passado por determinadas situações. Bordel Brasil é um espetáculo repleto de música, coreografias, rítmica, uma pitada de comédia e muita emoção!

Estrearemos em 12 de fevereiro às 21h e as demais apresentações serão todas as sextas-feiras deste consecutivo ano pandêmico, como um respiro merecido a tudo isso que estamos vivendo. As apresentações ocorrerão no TEATRO ZERO HORA RIBALTA, localizado na Rua Conselheiro Ramalho, 673, Bela Vista. Próximo a estação do metrô São Joaquim.

É orientado que antes de comparecerem ao evento, entrem em contato com um dos atores para que a sua presença seja considerada, pois o espaço é pequeno e a casa está com a ocupação reduzida devido à pandemia.

Você pode acompanhar as novidades através da página do espetáculo no Instagram: @bordelbrasiloespetaculo, e por lá também encontrará o Instagram de todo o elenco! Ahh, lembra quando falei que é um espetáculo musicado? Pois, então, preparei para vocês uma playlist especial, com a Trilha Sonora da peça! 🤩

Figurinhas da peça para download:

http://sticker.ly/s/UPD3SA

Publicado em teatro

O Jardim das Cerejeiras

Temporada: 10 de janeiro à 02 de Junho

Local: Teatro Aliança Francesa

Categoria: Drama de Época

Escrita pelo dramaturgo russo Anton Tchecov, O Jardim das Cerejeiras é uma peça antiga, tendo a sua primeira apresentação em 1904, sendo dirigida por nada mais, nada menos que Constantin Stanislavski. 👏🏻

A história se passa no século XIX, na Rússia, sendo retratado o dilema de uma família falida, soterrados em dívidas, que acabaram de voltar de uma longa viagem e estão prestes a perderem a sua casa, onde há um jardim das cerejeiras que possui valor sentimental para eles.

Infelizmente peças de teatro do gênero drama, não costumam me atrair tanto, mas esta tive que assistir meio que por obrigação, pois precisava fazer uma resenha depois para a escola de atores, no qual estudo, e aproveitei para fazer uma resenha aqui também rs. 😬

Mesmo que não seja um gênero que me cativa ir ao teatro, abri a minha mente e fui animada assistir à este espetáculo, que, apesar de ser muito bem produzido, possuir excelentes atuações, belíssima estética, um fantástico jogo de luzes que abrilhantou diversas cenas e até mesmo alguns personagens engraçados (destaque para o irmão desnaturado sem nenhum senso de responsabilidade e a empregada da família), estarei mentindo se disser que saí de lá com aquela sensação de que foi um programa proveitoso. Com uma duração de 2h, não tive como não ficar entediada após certo tempo, perante uma peça tão extensa e maçante. Repito que, a minha crítica não se aplica em nada aos atores, mas ao enredo em si que simplesmente não me cativou.

O desfecho foi interessante, pois fugiu do clichê em que tudo termina bem e os protagonistas tiverem que se adaptar ao fracasso e a perda (olha eu fazendo spoiler), mas ainda assim, não é o tipo de peça que eu assistiria de novo (sim, eu sempre repito quando gosto) ou recomendaria para alguém, a não ser que a pessoa me dissesse que é fã de dramas de época rs.

Enfim… te desafio a assistir à essa peça – que teve sua temporada prorrogada de março até junho, com apresentações de quinta à domingo – e vir aqui contestar (ou concordar) com a minha opinião depois. 😉

Publicado em Cotidiano, teatro

Temos a Arte para não morrer da Verdade

Todo mundo deveria fazer teatro. Na verdade, é uma grande catástrofe que a arte não seja estimulada em nosso país. Você sabia que nas escolas americanas há disciplinas extracurriculares como: música, culinária, teatro e fotografia, sem que o aluno precise pagar um curso a parte, como ocorre aqui no Brasil?

Mas enfim, não estou aqui para enaltecer o ensino americano (apesar de realmente ser surpreendente melhor que o nosso) e sim para defender a questão da importância do teatro na vida das pessoas. Já ouvi muito dizer que Fulano ou Ciclano entraram no curso de teatro para acabar com a timidez, brotando em mim a ideia de que o teatro tivesse duas funções: formar um ator e acabar com a timidez de pessoas tímidas, quando, na verdade, vai muito além disso.

Sou formada em Jornalismo e meu primeiro contato com o teatro foi no primeiro semestre da faculdade. Na época decidi entrar para o Núcleo de Dramaturgia com interesse apenas nas horas complementares que eu ganharia. Fui para as aulas sem ter a menor ideia de como seria. O professor que nos guiava, passava atividades que no começo me pareciam bobas e me envergonhava fazer, como quando ele pediu que fingíssemos estar nadando dentro de um oceano, em busca de algo novo como nadador. O espaço inteiro do auditório era esse oceano. Nos enfiávamos entre as poltronas, deitávamos no chão, rolávamos, pulávamos, sentávamos e apesar de por fora parecer que eu estava imersa naquele exercício, por dentro eu me sentia uma boba por estar fazendo aquilo. A ideia do ator na minha cabeça era a de aquele que decora o texto e diz suas falas na frente de outras pessoas, não o que fica brincando de faz de conta em um auditório de faculdade.

No final das contas, o Núcleo não me rendeu as horas complementares que eu tanto precisava. Perdi minhas 40 horas livres devido a uma falha na organização das aulas que não computou a minha participação, mas, em contrapartida, ganhei um presente ainda maior: O bichinho da arte havia me picado e a agora eu queria mais.

Eu tinha acabado de ingressar na faculdade e não havia a menor possibilidade de abandonar o curso, uma vez que já tinha demorado anos para decidir o que cursaria. Segui adiante com o meu sonho de ser jornalista, mas, na reta final da graduação, ou seja, no último ano, decidi cursar algo relacionado a atuação em paralelo com as aulas da faculdade, para ter mais certeza que aquela picada do bichinho da arte era compatível com a minha pessoa.

Me inscrevi num Curso Livre de Interpretação Para TV, que era curto (com uma duração de 4 meses cada módulo) e que serviria para me mostrar se eu realmente possuía o dom para me tornar uma atriz ou se era só fogo de palha da minha cabeça mesmo.

No primeiro dia de aula, antes mesmo que começássemos com os exercícios, enquanto a professora apenas explicava coisas técnicas sobre a rotina de gravação de uma novela e cinema, senti algo positivo dentro de mim, algo que me dava a certeza de estar no lugar certo. O meu único medo era não ter o dom para a atuação. Pois, por mais que a professora frisasse que o talento não era determinante, que o estudo e a dedicação tinham mais peso, eu não insistiria em algo que estivesse nítido que eu não levasse o jeito para a coisa.

Durante aquele ano (que foi no ano passado), acabei cursando dois módulos do curso de TV (Iniciante e Avançado) e, em paralelo, também fiz dois workshops.

Foi a partir do primeiro workshop que a minha vida e a minha visão do mundo e das pessoas, começou a mudar. Por isso falo da importância da arte na vida do ser humano. É o tipo de experiência que indico para QUALQUER pessoa, não só para quem quer ser ator. O primeiro workshop que fiz foi de “Interpretação Para Cinema” com o Sérgio Penna, no Rio de Janeiro. Para quem não sabe, Sérgio Penna é um preparador de atores muito famoso e conceituado. Seu método de ensino é extenso e muito completo. Fui até o Rio para fazer, porque ele já tinha passado por São Paulo e demoraria até que viesse de novo. Durou três dias.

Imensurável o aprendizado adquirido. Voltei para a casa mais humana e amando mais o ser humano. Você começa a perceber que realmente existe esse lance de energia e a troca de energia no workshop do Penna foi incrível. Não havia rivalidade, superioridade (e olha que tinha famosos participando do workshop também), parecia que todo mundo era da mesma família, como se fôssemos irmãos, sabe? No começo eu estava um pouco travada, pois eu nunca tinha feito um workshop antes e não sabia que funcionava daquela maneira tão coletiva e libertadora. Você não é mais só você, você é todos e todos são você. Fantástico e maravilhoso.

São experiências edificantes para o nosso ser, mas que, se não forem cultivadas, com o passar do tempo, a correria da vida cotidiana engole as sensações vividas e aos poucos você esquece a importância da conscientização de tudo que foi aprendido. Então, no mês seguinte fiz outro workshop, dessa vez da Fátima Toledo, chamado: “Coragem Emocional”. Esse durou uma semana. Igualmente engrandecedor.

Ao estudarmos atuação, não aprendemos apenas a decorar um texto, posicionamento de câmera e enquadramentos. Aprendemos a ser pessoas melhores. Ser ator envolve a busca pelo autoconhecimento. Por isso que em sua maioria, os atores são pessoas alegres e felizes, ainda que nem sempre sejam bem-sucedidos financeiramente. Isso por que são livres, e liberdade, ao qual me refiro aqui, não é sobre o direito de ir e vir, falo da liberdade espiritual. Se livrar dos seus medos, dos seus bloqueios, das suas inseguranças, afinal, os atores precisam se livrar de tudo isso para poderem viver um personagem com real entrega e perfeição.

Então deixo aqui mais uma vez esse conselho a você que estiver lendo isso. Faça teatro. Busque o autoconhecimento. Todos temos uma missão na Terra, cabe a nós descobrirmos qual e usufruirmos deste conhecimento com total sabedoria.

Nossa experiência levou-nos a crer firmemente que só o nosso tipo de arte, embebido que é nas experiências vivas dos seres humanos, pode reproduzir artisticamente as impalpáveis nuanças e profundezas da vida. Só uma arte assim pode absorver inteiramente o espectador, fazendo-o, a um só tempo, entender e experimentar intimamente os acontecimentos do palco, enriquecendo a sua vida interior e deixando impressões que não se desvanecerão com o tempo.

(Constantin Stanislavski – A preparação do ator)