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Camila Moreira e Carine Raposo na Bienal do Rio

Carine Raposo e Camila Moreira

Imagina que maravilhoso seria, se você, que está escrevendo seu primeiro livro, tivesse a grande oportunidade de ver a sua vida mudar, ser convidada para participar de um grande evento como a Bienal do Livro e melhor ainda: conhecer diversos leitores e fãs, que você nem imaginava que tinha!!

Carine Raposo

Quem viveu essa maravilhosa experiência, e me contou um pouquinho dessa emoção, foram as escritoras Camila Moreira (autora da duologia “O Amor Não Tem Leis” e “8 Segundos”) e Carine Raposo (“O Penhasco” e “Olhar de Fogo”). Para você que ainda não conhecia essas beldades, ou conhecia apenas uma delas, farei uma breve introdução!

Camila Moreira

Elas escrevem gêneros de livro totalmente diferentes uma da outra! Enquanto Carine nos encanta com suas histórias de fantasia, suspense e romance (sim, ela conseguiu mesclar os três!), Camila é uma Sylvia Day brasileira, que simplesmente arrasa com seus livros eróticos! Ressalto que suas histórias não possuem só a erotização, mas sim todo o enredo de uma personagem cativante, com uma pitada daquilo que todo mundo gosta! 😉

O Amor Não Tem Leis

Ambas marcaram presença na Bienal do Livro, que ocorreu em Setembro desse ano, no Rio de Janeiro, e aproveitando que elas estiveram lá, pedi que respondessem o questionário abaixo, para que assim como eu, você possa saciar a sua curiosidade sobre esse mundo incrível e mágico, e mais ainda, ficar por dentro de como é realizar o sonho de publicar seu livro.

Para que não fique um post muito extenso, o dividirei em duas partes, hoje será com elas nos contando como foi participar da Bienal, e no próximo post, sobre o processo para a publicação do primeiro livro. Estão preparadas? Então vamos lá! 🙂

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Camila Moreira

1- Foi sua primeira Bienal? Como se sentiu? Foi do jeito que você esperava?

Camila: Essa foi minha segunda Bienal, porém a primeira no Rio de Janeiro, e por isso foi uma experiência gratificante. Em 2014 estive pela primeira vez em um evento literário, tanto como escritora como leitora. Foi emocionante, entretanto, este ano foi algo que ficará eternamente em minha memória. Foi muito mais do que eu esperava, e realmente fiquei impressionada com a quantidade de pessoas que me reconheceram.

Carine: Sim, foi incrível. Me senti em um parque de diversões. Trabalhar 10 dias consecutivos nesse mundo fantástico dos livros, ao lado de outros escritores e conhecer novos leitores todos os dias, foi um sonho. E o livro ainda teve a primeira edição esgotada antes do previsto.

2- Em média, quantas pessoas lhe visitaram por dia?

Camila: No sábado, dia 05/09, tivemos um encontro de autoras da Suma de Letras e Seguinte, selos do Grupo Companhia das Letras. O evento contou com, além da minha presença, Juliana Parrini, Raphael Montes e Capitolina, e ocorreu por volta das 20h, ou seja, um pouco tarde, mas para minha surpresa, quando cheguei ao auditório, uma fila já se formava aguardando a entrada ser liberada. Foram mais de 300 pessoas, e ficamos no local até às 22h.

No segundo dia (06/09) foi realizada uma sessão de autógrafos no estande da Companhia das Letras. O planejado era começar às 19h30min, mas devido a quantidade de pessoas que estavam aguardando, comecei a autografar às 16h, ficando no estande até pouco mais das 21h. Não sei precisar a quantidade de pessoas, mas foram 5 horas de autógrafos.

Da mesma forma foi no dia 07/09, quase 3 horas de autógrafos e fotos. E, mesmo fora de eventos oficiais da editora eu visitei estandes e autografei em qualquer lugar em que passava.

Carine: Não cheguei a calcular quantas pessoas por dia, mas várias me procuraram ao longo da feira dizendo que me conheciam do facebook ou do Wattpad, foi sensacional.

3- Quantos livros possui publicados? Houve lançamento de algum livro novo? Qual?

Camila: Tenho três livros publicados. Em 2014 foi lançado da duologia O Amor não tem leis, e nesse ano, em Abril, lançamos 8 segundos. Foram esses livros que autografei na Bienal.

Duologia o Amor não tem leis

8 Segundos

Carine: Possuo dois livros publicados, O Penhasco em formato físico e Olhar de Fogo em ebook.

O Penhasco

Olhar de fogo

4- Dos autógrafos que deu, qual dos seus livros foi o mais autografado?

Camila: Acredito que, por ser o mais recente, 8 segundos tenha sido o livro mais autografado.

Carine: Somente O Penhasco, por ser o único em formato físico.

5- Como sabemos, nem tudo são flores… Houve alguma situação ou momento que se sentiu desconfortável ou não gostou de algo? Se sim, justifique.

Camila: Não tive nenhum momento que não tenha gostado. Os únicos momentos em que me senti desconfortável foram quando ia aos eventos de outras autoras. Acabava tumultuando a fila, tirando foto e autografando livros. E, por isso não me sentia muito bem “bagunçando” os eventos das colegas (risos).

Carine: Apenas a organização das filas de entrada e o fato dos autores credenciados serem obrigados a dar uma volta imensa todos os dias para entrar no RioCentro.

6- Quando começou a escrever seus livros, imaginava que um dia estivesse na Bienal?

Camila: Quando comecei a escrever eu sequer imaginava ser escritora, que dirá estar em uma Bienal. Foi, com certeza, o ápice de toda minha recente carreira como escritora.

Carine: Nunca! Rs Quando comecei, tinha apenas o sonho de concluir um livro.

7- O que você mais gostou dessa experiência? A viagem, os fãs, ou o reconhecimento e notoriedade?

Camila: Antes da Camila escritora existe a Mila leitora. Estar em uma Bienal já é fascinante pelo simples fato de vivenciar, nem que seja por um dia, tudo que aquele local nos reserva. E, poder fazer isso tendo seu livro exposto em uma das maiores editoras é ainda mais gratificante. Tudo foi especial para mim. Eu amo o Rio de Janeiro, e fiz amigos verdadeiros nessa cidade, amigos que antes conhecia apenas através dos livros, e das redes sociais, e que hoje fazem parte da minha vida. Viajar com minha irmã e meu namorado também me ajudou muito, tornando tudo mais divertido. Mas, com certeza, os encontros com meus leitores foram os momentos mais felizes que tive durante a Bienal.

Carine: Eu diria que tudo! Rs. Mas por ordem, o carinho dos leitores (porque sem eles, o livro não existe), o reconhecimento e a notoriedade.

8- Pôde conhecer algum outro autor que gostava muito? Se sim, qual e como foi?

Camila: Sim. Além de rever a Babi Barreto, uma escritora mineira que sou apaixonada, eu também tive o prazer de ter a Juliana Parrini ao meu lado em todos os eventos. E conheci autoras que admiro muito e que passei a ter um carinho especial depois que as conheci pessoalmente: Bianca Briones e Babi A. Sette me deixaram apaixonada.

Carine: Pude! Além de encontrar diversos autores nacionais divos, consegui conhecer Josh Mallerman, autor de Caixa de Pássaros, um livro que adorei.

9- Psicologicamente deve ter sido uma experiência incrível, ter seu trabalho reconhecido e ser querida por seus leitores, mas e quanto ao desgaste físico? Foi muito exaustivo? O que lhe cansou mais, a viagem ou ter que ficar por horas sentada, na Bienal?

Camila: A viagem em si já me cansa muito. Eu moro no interior do MT, e para chegar ao Rio de Janeiro às 18h, tive que sair da minha cidade à 1h, ou seja, de madrugada. São 6 horas de ônibus até chegar em Cuiabá, de lá peguei o voo para Brasília, e só então voei para o Rio. A Bienal foi bem cansativa. O local do evento era muito afastado de onde estávamos hospedados, e devido às obras para as Olimpíadas, o trânsito era imenso, chegando a levar 2 horas de viagem.

No primeiro dia não fiquei muito cansada, mas tive um “probleminha”. Fiz uma homenagem a minha personagem de 8 segundos, a Pietra, e usei botas texanas. Foram 10 HORAS de Bienal usando botas. Cheguei em casa com os pés cheio de bolhas.

No último dia, o cansaço chegou, o que era de se esperar, mas tudo, cada segundo, valeu a pena. Eu faria tudo novamente sem pensar duas vezes.

Carine: Eu viajava duas horas por dia para ir e duas para voltar, além de passar o dia todo de pé. Mas acho que o fato de ser pela Bienal renovava minhas forças diariamente. Claro que quando chegou ao fim, passei um dia inteiro deitada no meu quarto rs.

10- Tem vontade de repetir a experiência daqui dois anos? De 0 à 10 como classificaria?

Camila: Posso te responder; Claro, sim ou com certeza. 9, pois queria ter ficado mais dias.

Carine: Demais! E com certeza darei um jeito de estar na de SP também! 11! Mil vezes 11.

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O Penhasco

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Autor: Carine Raposo

Editora: Cadmo

Ano: 2014

Liza é uma jovem de 21 anos que em uma viagem que faz com sua família, lhe acontecesse a terrível tragédia do desaparecimento repentino e sem nenhuma explicação de seus pais!

“Liza, algo aconteceu… Saiam desse hotel, mas não voltem para casa. Não procurem por nós. Amamos vocês.” (Pág. 12)

Esse foi o bilhete deixado por sua mãe antes de desaparecerem. Após esse acontecimento, ela precisou amadurecer muito rápido para cuidar de sua irmã mais nova, Raquel. Uma adolescente muito difícil que após o desaparecimento dos pais deixou de gostar da própria irmã (como se essa tivesse alguma culpa do que aconteceu). As duas se mudam para a casa de dois amigos de Liza (Ben e Amanda) e lá tentam reconstruir suas vidas. Apesar da grande tristeza, Liza consegue ter uma diferente distração com um homem lindo que vem aparecendo em seus sonhos e a levando para o Penhasco, um lugar muito bonito e celestial. Durante o decorrer da história percebemos que aquele rapaz que ela via em seus sonhos não existia somente em seus sonhos, ele realmente existia! 😮 O que deixa o leitor tão surpreso quanto a própria personagem com essa descoberta! Devo acrescentar que me senti na pele da Liza quando esse rapaz, chamado Nathaniel, aparece em sua casa, agindo como se não a conhecesse acompanhado de Raquel! Me senti mal pela personagem, como se fosse comigo! Rs. O mesmo rapaz que até então achávamos que somente que ela poderia vê-lo.

“E por mais que tudo fosse tão palpável quanto o chão frio abaixo de mim, ele apareceu de verdade em minha casa. Não havia mais dúvidas. Não era fruto da minha imaginação.” (Pág. 87)

Se temos bastante romance na história, também temos muito suspense! Sim suspense! Tudo por que uma sombra macabra e desconhecida sempre está no percalço de Liza! Cuja sombra maligna somente Nathaniel conseguia protege-la! A história no entanto se desenrola bem devagar, e até a metade do livro eu meio que “empurrei” a leitura, já que o começo é bem parado, mas eu sabia que quando chegasse em determinada parte ia começar a esquentar, como realmente aconteceu! Rs. Quando um novo personagem entra na história chamado Ethan, tudo começa a ficar mais estranho, esse personagem deverá causar desconfiança em qualquer leitor, bonzinho demais, estranho demais! Mas não revelarei sua verdadeira “culpa” no cartório rs. Uma das partes mais engraçadas inclusive (na minha opinião) é quando estão no jantar de aniversário de Raquel, e Liza acidentalmente cospe o que bebia em Ben ao descobrir algo que até então era surpresa até para o próprio leitor (não vou contar o quê para não perder a graça 😉 ), fiquei imaginando a cena na minha cabeça, e a cara que a Liza teria feito se fosse na vida real hahaha. Conforme vamos diminuindo as páginas restantes, as coisas começam a ficar cada vez mais obscuras e acontecimentos ruins passam a acontecer com muito mais frequência! E o legal de tudo, é que a Carine conta de uma forma, onde é impossível não nos imaginarmos na pele da pobre Liza!

“Corri até a sala e para aumentar o meu terror, Ben e Amanda aparentemente dormiam. Acendi todas as luzes da casa e liguei a televisão. Depois, me encolhi debaixo do edredom no sofá. Cada ruído da rua, do vento ou dos móveis, me fazia tremer. O medo arranhava minha consciência de duas formas horríveis. […] Meus olhos ardiam de sono quando horas depois, criei coragem para me deitar. Eu sentia gelo nas costas apesar de estar na cama, debaixo das cobertas. E mesmo ciente de ser uma mera ilusão de segurança, dormi com a porta aberta e a luz acesa”. (Pág. 112)

Tudo começa a se esclarecer, aos poucos quando surpreendentemente Carine começa a narrar a história contando o que aconteceu com cada personagem. Durante a metade do livro ela alternava entre Liza e Nathaniel, mas quando a história está no pico do mistério, entram narrações expondo tudo que acontecia com os demais personagens, sendo os mais importantes:

Ethan (namorado de Raquel)

“Ethan ficava cada vez mais angustiado. Começava a se esquecer da última vez que seu corpo, obedeceu aos seus comandos” (Pág. 168)

Marie (Mãe desaparecida de Liza, onde a autora nos revela o que realmente aconteceu no dia do seu desaparecimento!!)

“Marie vagou pelas ruas quentes e desconhecidas de Los Angeles. Horas e mais horas já haviam se passado. O suor se instalava em sua nuca, premeditando um mau agouro. (Pág. 181)

Delegado Machado (Cujo delegado ficou encarregado de investigar o desaparecimento de seus pais)

“Do crime agora, ele sabia. Mas não havia lógica. Não havia explicação.” (Pág. 185)

Emmanuel (principal suspeito do desaparecimento dos pais de Liza)

“Só que ultimamente, ou ele andava com muito azar, ou algo muito ruim lhe perseguia. […] Com exceção daquela voz que às vezes invadia a sua cabeça, chegava sem convite e cantarolava seus movimentos, ele preferiu abraçar a ideia de ter perdido o juízo, pois era mais fácil do que raciocinar sobre aquilo.” (Pág. 194)

Stephanie (amiga de Raquel)

“Ela não pôde suportar o constrangimento. E após sua mãe ser demitida após os boatos que se espalharam pela cidade, não houve outra saída. Elas mudaram-se para Winterhill na semana seguinte. Longe da humilhação e do desprezo das pessoas. Longe da vergonha.” (Pág. 199)

Irmã Daiana (freira que cuidou de Nathaniel no orfanato)

“Ela não poderia contar tudo a ele. Ele jamais se afastaria de Liza. Como pode alguém pedir ao próprio coração que cesse de bater?” (Pág. 210)

Paul (pai de Liza)

“Uma soma de lembranças enterradas no passado voltavam para cumprir sua ameaça. Paul, enfim, compreendeu.” (Pág. 246)

Conforme cada narração entrava na história, mais peças do quebra-cabeça iam se encaixando. Eu sabia que Raquel não era flor que se cheirasse, mas fiquei impressionada quando foi revelado sua relação anterior com Stephanie! Tudo foi muito bem explicado, a história começa a te prender cada vez mais até a última página!! E nada como ter a própria autora no seu Face para tirar algumas dúvidas quando surgiam! Hehe.

A minha única crítica, que devo ser sincera que não gostei muito na história, foram as partes em que Liza se referia aos olhos de Nathaniel sempre como “esmeraldas”. Achei bacana no começo, mas depois passou a ser repetitivo, pois não tinha uma única vez em que era citado os olhos dele sem a palavra “esmeraldas” embutido! Rs. Perdi a conta de quantas vezes li essa palavra no livro. Mas no geral achei a história muito bacana e criativa! O final não é nada feliz, mas a boa notícia é que a história tem continuação!! Que se chamará “O Templo” com certeza não podemos perder!! 🙂

A Escritora

Carine Raposo

Assim como na minha última resenha (que também foi de uma escritora nacional), esse é o primeiro livro de Carine Raposo uma pessoa muito simpática e alegre. Tive o prazer de conhecê-la (virtualmente) onde pude adquirir diretamente com ela seu próprio livro autografado. Muito talentosa, onde conseguiu unir na história romance e suspense (dois gêneros que convenhamos são beeem distintos! Rs) sem que perdesse a essência da trama. Lhe desejo muito sucesso, e quem sabe um dia seremos companheiras de prateleira quando eu finalmente terminar de escrever o meu livro também! Rsrs. A autora é super receptiva e carinhosa com seus leitores, quem quiser adicioná-la nas redes sociais não percam tempo, pois ela conversa diretamente com todos!

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TRILHA SONORA

Não há um livro que eu não leia, que não encontre uma música perfeita para ouvir junto com a leitura, e essa música que citarei abaixo é a “CARA” dos personagens!! Até li a tradução, e tem muito a ver com a situação de Liza e Nathaniel!! Seria perfeito se algum dia, se essa história virasse um filme, colocassem na trilha sonora como tema deles, pois juro para vocês, não tem uma vez que eu ouça essa música que não lembre do livro! Rs.

Tove Lo – Out Of Mind