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Milagre – Parte 14 “Desespero”

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Quando vi aquele corte em suas costas, – indecifrável, que não se via o fundo, mas parecia que estava na carne, e não se via sangue, somente uma gosma branca – fiquei desesperada! Eu não tinha como correr com ele para algum pronto socorro, minha folga seria dali a dois dias, o que eu iria fazer???!

Liguei na clínica particular, afinal tinha direito a um retorno gratuito, e descrevi para a veterinária aquele corte, ela, assim como todos os médicos, não deu nenhum diagnóstico, por mais detalhista que eu fosse, disse que precisava olhar. Sabendo que se eu o levasse independente do que fosse geraria um custo, o jeito foi enfaixar e esperar agoniantemente até minha folga, pois levando-o no hospital, sabia que o atendimento seria bem mais completo.

E assim seguiram os dias… Todo dia eu trocava o curativo e limpava aquela gosma, sem saber que diabos era aquilo. Quando retornei no hospital, demorou milênios para sermos atendidos, acabei fazendo uma ceninha porque fazia mais de horas que não éramos chamados e o caso dele era grave, será que ninguém entendia???!

Teve um momento que não aguentei e comecei a chorar. Uma mulher que era a “chefe” lá, tinha sido grosseira quando fui questionar a demora pela segunda vez, dizendo que eu tinha que esperar e ponto final, mas parecia que todos eram chamados e menos nós, as horas passavam e nada! Sendo assim, só me restou chorar. As outras “donas” que também estavam aguardando foram muito carinhosas e gentis, me deram água, e me fizeram contar toda a história dele com esse novo problema. 

O pobrezinho estava com fome e com sede, eu apesar de ter levado ração num pote, não podia lhe alimentar, para o caso de precisarem lhe aplicar anestesia depois, e imaginem a situação dele? Fome, sede e dor. Entendo que era de graça, mas e os atendimentos preferenciais?? Ele era um cão deficiente afinal!

Fui ao banheiro lavar o rosto enquanto elas olhavam ele, e quando voltei disseram “você saiu e ele levantou a cabeça da caixa para ver aonde você ia, tem muito carinho por você” só me fez chorar mais! 😥 Sem planejar, o meu chororô acabou dando certo, pois logo o chamaram. Eu já estava toda sensível e quando fui falar com o veterinário chorei ainda mais, a história do Milagre estava chegando ao fim. 😦 Segue abaixo a foto do tal corte para que possam entender meu desespero:

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Infecção nas costas do Milagre

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Milagre – Parte 2 “Em Busca de Socorro”

Como nenhum pet shop aceitou nos ajudar, resolvemos ligar para a clínica veterinária que funciona 24 horas chamada “Arca de Noé”, para nos informarmos do custo para o atendimento emergencial. Eles informaram que seria R$100 e nesse momento meu amigo tomou a frente, disse que pagaria para que socorressem o cãozinho, (estávamos confiantes de que sendo atendido no emergencial tudo seria resolvido), o grande porém naquele momento, era como o levaríamos, já que não tínhamos carro. Sei o que você deve estar pensando: “Porque não pediram o táxi da própria clínica?” Acontece que o táxi da própria clínica, geraria um custo maior ao que estávamos podendo naquele momento.

Sendo assim, enquanto pensávamos em alguém que poderia nos levar, naquele instante, passou o carro da “Regatha Rações” – cujo dono nos conhece desde criança, acredito que todo mundo no bairro, conheça o Enilson! – Meu amigo, saiu correndo atrás do carro e eu fiquei com o cachorro. Minutos depois, eles voltaram juntos. Organizamos que, eu iria com o Enilson e o cachorro, enquanto meu amigo ia em sua casa buscar o dinheiro, e depois iria de ônibus para a clínica (levava uns 15 minutos by bus).

A cada lombada, o cãozinho, demonstrava sentir mais dores. Ele começava a querer me morder enquanto tentava se mexer. Eu ficava em pânico três vezes: por ele; pela possível mordida e pela camiseta que estava escorregando e deixando a mostra seu osso ensanguentado! Pedi ao Enilson desesperada, que arrumasse a camiseta, mas o cachorro se mexia demais e imagine quão foi minha agonia quando a camiseta que estava tampando, caiu nos meus pés?! 😥 Eu não conseguia abaixar para pegar e o Enilson como estava dirigindo, não conseguia também! Foi muito agoniante, e a clínica não chegava nunca!!!

Como aquele carro era próprio da casa de ração, o Enilson tinha uma focinheira no carro, e conseguiu me ajudar com um dos atritos. E ainda a caminho, ele me disse que aquele caso estava perdido, que provavelmente falariam da eutanásia. Assim que chegamos, eu já o segurava toda de mau jeito. Ele se mexia muito, e eu não conseguia arrumá-lo em meu colo. Entrei e já fui direto para a sala de emergência.

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O Milagre – Parte 1 “Como Tudo Começou”

Alguma vez, já contei para vocês de um cachorro chamado Milagre? Dei esse nome a ele devido as circunstâncias. Como a história é longa, cada dia postarei um pouco.

1° Dia

Aquela tarde era para ser como qualquer outra tarde de sábado para mim. Estava me aprontando para ir fazer as unhas, aguardando meu amigo, que também ía ao salão para cortar o cabelo, passar em minha casa. Até que meu celular tocou. Era esse meu amigo, e dizia desesperado na ligação, quase chorando, que tinha acabado de ver um cachorro sendo atropelado! E pediu para que eu fosse até o local, pois não poderia deixar o cachorro naquela situação, precisava ajudar. Imediatamente, aflita pelo desespero em sua voz e pelo seu relato, saí correndo de casa para a avenida em que ele estava, próximo a minha casa.

Chegando lá… Nunca vi uma cena mais agoniante em toda minha vida! Tinham levado o cachorro para a calçada, e o cobriram com uma camiseta velha. Cheguei perto para olhar melhor e quase não tive forças quando vi a situação em que aquele bichinho se encontrava… Estava com uma fratura exposta na pata direita da frente, com o osso quebrado ao meio, e o restante da pata pendurada por um fio de pele, as demais partes do corpinho dele pareciam estar normais, mas ele estava em um estado de choque, parado e não chorava, ficava com um olhar perdido e as vezes lhe dava uns piripaques, onde queria se mexer, ameaçando morder quem o impedisse. Quando o vi me deu vontade de chorar! 😥 Como alguém poderia ter um coração tão ruim, de não desacelerar vendo-o na rua? O carro que o havia atropelado, segundo testemunhas, era de porte grande, e passou em alta velocidade!

Eu e meu amigo, não sabíamos o que fazer. Tinham algumas pessoas em volta, mas estava claro que não fariam nada, por falta de recursos, falta de tempo, estavam ali sendo solidários mas ninguém se prontificou a levá-lo ao veterinário. Tentamos ligar na Zoonose, e até mesmo em alguns pet shops da região, que possuíam clínica veterinária, explicando o que havia acontecido e perguntando se poderiam ajudar, afinal também não tínhamos recursos, mas não podíamos deixá-lo ali a “Deus-dará”. Mas obviamente nenhum pet shop se sensibilizou.

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