Publicado em Cinema

Mãe!

Título Original: Mother!

Direção: Darren Aronofsky

Ano: 2017

Categoria: Suspense Psicológico

Aqui estou eu, escrevendo sobre este filme que me intrigou bastante. Um suspense psicológico impossível de entender sem buscar a explicação na internet depois. E mesmo após decifrar tudo que aconteceu nessas duas longas horas de duração, ainda me sinto bastante incomodada e perplexa com tudo que assisti e ainda mais pelo seu significado.

De antemão lhes aviso que haverá spoiler.

Serei mais um canal que irá lhes explicar tudo que aconteceu.

A primeira coisa suspeita do filme é que os personagens não são tratados pelo nome em nenhum momento. Até mesmo o personagem interpretado pelo Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez), que é um escritor famoso, não tem seu nome citado uma vez sequer.

A segunda coisa que reparei foi na grande diferença de idade do casal protagonista. Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes) parecia mais ser a sua filha, do que a sua esposa. Não que hoje em dia não seja comum casais com idades diferentes, mas, neste filme em específico, achei bastante estranho.

O casal vive numa casa isolada e, de repente, personagens externos vão surgindo para o grande desconforto – arrisco em dizer, até mesmo paranoia – da esposa, que reprova toda aquela invasão no seu lar. Num primeiro momento, a impressão que tive dessa personagem é que queria o marido só para si, ignorando o quanto seu sucesso como escritor era importante para ele. Mas, conforme o desenrolar da trama, mudei a minha opinião sobre ela.

Aos poucos o filme vai ficando mais denso, mais perturbador e extremamente mais confuso. Os acontecimentos demoram a acontecer, mas quando o filme dá essa virada, de monótono para assustadoramente agitado, o nível de agonia em assistir tudo aquilo ganha um alcance imensurável.

Em certa altura de absurdos, você clama para que tudo aquilo acabe, mas ao modo que só vai piorando, fica impossível esperar por um desfecho plausível, sem que a personagem interpretada por Jennifer não seja louca, que esteja alucinando, sonhando ou qualquer outra coisa que a realidade não seja capaz de explicar.

Quando o filme acabou, a explicação não veio e tive que buscá-la na internet, explicação esta que irei compartilhá-la agora. Então, se você ainda não assistiu a este filme, para o seu próprio bem pare de ler neste exato minuto e vá assisti-lo, para só depois retomar a leitura deste ponto.

Entenda a história do filme

A explicação é a mais absurda, porém, também, a mais inteligente possível! Não se pode negar a genialidade do diretor ao criar tudo isso!

Os personagens não possuem nomes, pois, são bíblicos! O escritor/ poeta é Deus, sua esposa é a Mãe Natureza, o primeiro homem que aparece é Adão – em determinada cena percebemos um corte em sua costela – depois aparece Eva, mais tarde seus respectivos filhos, Caim e Abel – em uma passagem importante da Bíblia Caim mata Abel, assim como ocorre no filme – , o livro de sucesso que o poeta escreve é nada mais, nada menos, que o Novo Testamento – que vem depois do dilúvio, evento este representado pela explosão da pia da cozinha – e a editora do poeta pode ser considerada como a Igreja – inclusive, há uma crítica velada quando esta personagem atira em algumas pessoas – .

O bebê que nasce do casal e é morto pelos fãs / adoradores do poeta, representa respectivamente Jesus Cristo e a humanidade. A casa é a Terra – sendo atacada, despedaçada e por alguns, bem poucos na verdade, restaurada, quando lhe pintam as paredes – .

Aquele cristal importante no escritório do poeta, representa o fruto proibido (vejam que ele foi destruído pela mulher que representa a Eva, despertando a fúria do dono da casa que teve o seu pedido, de não tocarem no objeto, desobedecido, fazendo com que assim, como na história da Bíblia, ambos fossem banidos de lá). O escritório – que logo depois é fechado com tábuas para que ninguém mais entre – representa o Jardim do Éden.

Todos aqueles eventos tenebrosos que acontecem na casa, representam as atrocidades já vivenciadas na Terra como as guerras, campos de concentração e etc. E a explosão final é o apocalipse!

Profundo, não? Completamente insano também!

Se eu gostei do filme? Eu amei! Primeiro, porque não é óbvio (não que eu goste de filmes que não consigo entender sozinha), segundo, que consegue te prender do início ao fim! O ar de mistério permeia em toda a sua duração, como se cada mísero detalhe, por menor que fosse, não deixaste de ser sabiamente planejado. Também gostaria de destacar a perfeita atuação da Jennifer Lawrence! Já tinha me tornado sua fã desde “Passageiros” e com esse filme não foi diferente, a minha admiração só aumentou!

Agora eu te pergunto: Você chegaria a essa conclusão sozinho(a)?? Me conte nos comentários qual a sensação e a interpretação que teve ao assistir!

Publicado em Cotidiano

Quarentena City

A quarentena está dividindo a sociedade em dois grupos. Temos o time “Fique em Casa” e o “Não vejo a hora de poder sair de novo”. Não que um time não tenha um pouco da característica do outro, a diferença está apenas na dosagem de cada um.

O time “Fique em Casa” é composto por aquelas pessoas que levam a quarentena a sério e não saem de casa em prol do que chamam de responsabilidade social. Não importa que para isso precisem ficar longe de amigos, namorados e até mesmo família.

Já o time “Não vejo a hora de poder sair de novo”, acredita numa possível flexibilidade. Exceção é o seu primo distante que vez ou outra teima em lhe visitar. Consideram os riscos minimizados, uma vez que os encontros ocorrem com outras pessoas que também estão de quarentena. Visto pelos “Fique em Casa” como um bando de irresponsáveis, este grupo diz apenas não querer surtar. Para eles estar vivo sem vida, não é viver e ficar em casa não é sinônimo de viver em cativeiro.

Para o primeiro grupo, é importante que as recomendações sejam respeitadas, deve-se abdicar das suas vontades em prol do coletivo. Quarentena não é férias e a grande quantidade de mortes provam que não se trata de apenas uma gripezinha. Não há motivos para alegrias confraternizadas, nem para que um ‘foda-se a vida’ seja dito.

Para o segundo, em tudo isso há um pouco de exagero. Se todos estão tomando os devidos cuidados, por que haveria de ser tão perigoso? Se consideram tão cautelosos quanto o primeiro grupo, ainda que pareçam mais rebeldes.

Moral da história: apesar do embate, ambos os grupos almejam a mesma coisa: o fim de tudo isso.

E você? Até que ponto a quarentena está influenciando nos seus pensamentos? No seu comportamento? Nas suas amizades e na sua sanidade? Você está conseguindo controlar tudo o que sente? Vamos, me diga, a qual grupo você pertence?