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Como Publicar Seu Primeiro Livro?

Em continuação do post Bienal do Rio 2015 trago o restante da entrevista, com as autoras nos contando, como foi o processo de publicação de seus primeiros livros. Estão preparadas? Então vamos lá!

Processo de Criação

1- Como foi começar a escrever seu primeiro livro, você imaginava que fosse fazer tanto sucesso?

Camila: Apesar de ser uma leitora compulsiva, eu nunca imaginei que um dia seria escritora, não era algo que se passava em minha cabeça e nunca havia escrito nada com essa finalidade, mas ao passar por um problema pessoal, resolvi usar a literatura e a escrita como forma de suprir a tristeza que sentia naquele momento. Foi algo natural. Na verdade, eu encontrei na escrita uma forma de ocupar a cabeça, foi então que comecei a colocar no papel algumas ideias que tive. Meu primeiro livro, O amor não tem leis, surgiu da paixão que tenho pela faculdade de Direito, onde estou prestes a me graduar. As leis, somadas a predileção por livros eróticos foi meu ponto de partida, e dali surgiu a história de Clara e Ferraz.

Carine: Quando comecei a escrever O Penhasco, sequer sabia se iria conseguir concluí-lo, o que aconteceu depois foi simplesmente incrível!

2- Agora que está sendo bem visada e conquistando cada vez mais fãs, possui uma pressão da editora para que escreva mais livros?

Camila: Não. Eu tenho alguns projetos que pretendo colocar em ordem assim que terminar a faculdade, e apesar da editora estar ciente de todos eles, eu tenho liberdade para trabalhar conforme minha inspiração.

Carine: No momento me cobro mais pelos leitores, não quero deixa-los esperando muito tempo pela continuação.

suma das letras logoeditora cadmo logo

3- Como é a relação com a editora? Te dão total liberdade para escrever sobre o que quer ou antes da publicação alteram seus manuscritos?

Camila: Em todas as três publicações eu tive total liberdade para trabalhar. O livro foi editado, é claro, mas nada que influenciasse no enredo da história e em minhas ideias originais.

Carine: Sim. Possuo total liberdade mas o livro sempre passa por uma revisão, é de praxe.

4- Como foi a sua empreitada até receber o contato da editora e publicar seu primeiro livro?

Camila: Tudo aconteceu muito rápido. Levou um bom tempo para eu acreditar que tudo que estava acontecendo era real. Eu comecei a escrever em novembro de 2013, e em fevereiro recebi o grato e inesperado contato da Suma de Letras para publicação. Nunca pensei que um dia faria da escrita um passatempo, ou que até mesmo seria uma profissão. Com a insistência de um grupo de amigas publiquei os primeiros capítulos no Wattpad, e me surpreendi com o retorno que recebi. Há um ano as leituras não alcançavam números estratosféricos como agora. Era muito difícil manter os leitores presos à história, por isso eu simplesmente não acreditei quando os capítulos postados alcançaram mais de 100 mil leituras. Eu escrevia por paixão, por paixão aos romances, às histórias de amor e amizade, nunca imaginei que um dia seria publicado, e nem passava pela minha cabeça que esse convite surgiria da Suma de Letras, uma editora que já fazia parte da minha estante. Ao todo demorou cerca de 7 meses desde a conclusão do livro até sua chegada às livrarias.

Carine: Comecei a fantasiar com um certo Penhasco antes de dormir e estava numa fase de ler vários livros seguidos, até que decidi escrever o meu próprio, mas apenas para ver se conseguiria concluir. Acabou sendo uma grata surpresa, porque não apenas virou uma trilogia como muitas pessoas elogiaram e me estimularam a seguir em frente. Antes de decidir publicar o livro físico, postei a história no wattpad e me surpreendi com as mais de 100 mil leituras, ainda mais sendo um livro de fantasia.
Foi o carinho dos leitores que me deu a coragem que eu precisava para enviar o original as editoras. Após registra-lo na BN entrei em vários sites e vi quais eram os requisitos de cada uma para receber manuscritos. Umas levaram meses para retornar, outras estou esperando até hoje rs. E algumas pagas e não pagas me deram retorno positivo. Até que veio a Cadmo, e foi a proposta que me pareceu mais interessante.
O processo todo, desde o envio até receber o meu bebê nas mãos levou cerca de um ano.

5- Quais autores você mais gosta?

Camila: Nossa, fazer essa pergunta a um leitor compulsivo é praticamente uma tortura (risos). Sou muito eclética, leio de tudo um pouco, mas, atualmente ando lendo muitos autores nacionais: Juliana Parrini, Babi Barreto, Biia Rozante, Bianca Briones. L.M. Gomes e Manu Torres são alguns exemplos.

Carine: Érico Veríssimo, Lauren Kate, Heather Gudenkauff, Carlos Ruiz Zafon, Gabriel Garcia Marques… São tantos. rs

6- Quais livros e filmes são seus preferidos?

Camila: Romance para ambos, mas nos filmes, também gosto muito das adaptações de H.Q. Marvel são os meus preferidos.

Carine: Não consigo escolher favoritos, então vou dizer os que me marcaram: Harry Potter, Fallen, O Peso do Silêncio, Depois daquela viagem… Filmes: Gladiador, Troia, Senhor dos Anéis, Titanic

7- O que você gostaria de ser, caso não fosse escritora?

Camila: Delegada de Polícia (sou assessora de um rs).

Carine: Eu trabalharia em Hogwarts rs.

8- Pretende publicar mais quantos livros? Ainda tem muitas ideias para histórias futuras?

Camila: Tenho muitas, pelo menos umas 10 esperando um pouco do meu tempo, e se Deus permitir, quero publicar todas.

Carine: Pretendo publicar muitos ainda. Somente de ideias para novas histórias possua umas dez ou doze arquivadas só esperando para nascer.

9- Qual livro você mais gostou de escrever? E por quê?

Camila: Eu amo todos (dúvida cruel rs). Apesar de O amor não tem leis ter sido minha primeira história, eu tenho um carinho imenso por 8 segundos. Pela história se passar no interior do país, recordei muita coisa da minha infância e juventude, como os rodeios, por exemplo, os quais eu sempre frequentei. Também tive ajuda do meu pai, que me deu diversas dicas a respeito da vida no campo, já que ele passou boa parte de sua vida morando na Fazenda. Por isso, eu gosto muito dessa história, por ter mexido com minhas lembranças.

Carine: Gostei muito de escrever Olhar de Fogo porque o fiz enquanto postava os capítulos no Wattpad e diferente de O Penhasco, eu não fazia ideia do que iria acontecer. Apenas fui deixando fluir, o que foi bem interessante.

10- Para você, qual o melhor lugar para escrever? E qual momento costuma lhe ocorrer mais inspiração?

Camila: Sou um pouco desorganizada quanto a isso. Eu escrevo em qualquer lugar e a qualquer hora. Não necessito de uma preparação ou algum local específico para escrever.

Carine: Eu sempre escrevi no meu quarto, trancada com um balde de café. rs A inspiração as vezes aparece sem explicação, mas na maioria das vezes flui nos dias em que estou de bem comigo e com a vida.

 11- Possui ambição de se igualar a algum escritor que lhe serve de inspiração no momento?

Camila: Acredito que, todo profissional deseja crescer cada dia mais e se aperfeiçoar naquilo que faz. E é isso que desejo, aprender com todas as experiências que estou vivenciando e também melhorar minha escrita. Se isso me levar ao patamar de um algum escritor que admiro será consequência, e não algo que eu almejo.

Carine: São tantos autores nacionais fazendo sucesso que fica difícil escolher um só rs. No momento minha ambição é conseguir uma editora maior que me ajude a conquistar cada vez mais leitores e é claro, que gostem cada vez mais das minhas histórias.

Gostaria de agradecer a Carine Raposo e a Camila Moreira pela colaboração e disponibilidade, em responder esse questionário, lhes desejo muito sucesso meninas!!!

Carine Raposo
Carine Raposo
Camila Moreira
Camila Moreira
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Camila Moreira e Carine Raposo na Bienal do Rio

Carine Raposo e Camila Moreira

Imagina que maravilhoso seria, se você, que está escrevendo seu primeiro livro, tivesse a grande oportunidade de ver a sua vida mudar, ser convidada para participar de um grande evento como a Bienal do Livro e melhor ainda: conhecer diversos leitores e fãs, que você nem imaginava que tinha!!

Carine Raposo

Quem viveu essa maravilhosa experiência, e me contou um pouquinho dessa emoção, foram as escritoras Camila Moreira (autora da duologia “O Amor Não Tem Leis” e “8 Segundos”) e Carine Raposo (“O Penhasco” e “Olhar de Fogo”). Para você que ainda não conhecia essas beldades, ou conhecia apenas uma delas, farei uma breve introdução!

Camila Moreira

Elas escrevem gêneros de livro totalmente diferentes uma da outra! Enquanto Carine nos encanta com suas histórias de fantasia, suspense e romance (sim, ela conseguiu mesclar os três!), Camila é uma Sylvia Day brasileira, que simplesmente arrasa com seus livros eróticos! Ressalto que suas histórias não possuem só a erotização, mas sim todo o enredo de uma personagem cativante, com uma pitada daquilo que todo mundo gosta! 😉

O Amor Não Tem Leis

Ambas marcaram presença na Bienal do Livro, que ocorreu em Setembro desse ano, no Rio de Janeiro, e aproveitando que elas estiveram lá, pedi que respondessem o questionário abaixo, para que assim como eu, você possa saciar a sua curiosidade sobre esse mundo incrível e mágico, e mais ainda, ficar por dentro de como é realizar o sonho de publicar seu livro.

Para que não fique um post muito extenso, o dividirei em duas partes, hoje será com elas nos contando como foi participar da Bienal, e no próximo post, sobre o processo para a publicação do primeiro livro. Estão preparadas? Então vamos lá! 🙂

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Camila Moreira

1- Foi sua primeira Bienal? Como se sentiu? Foi do jeito que você esperava?

Camila: Essa foi minha segunda Bienal, porém a primeira no Rio de Janeiro, e por isso foi uma experiência gratificante. Em 2014 estive pela primeira vez em um evento literário, tanto como escritora como leitora. Foi emocionante, entretanto, este ano foi algo que ficará eternamente em minha memória. Foi muito mais do que eu esperava, e realmente fiquei impressionada com a quantidade de pessoas que me reconheceram.

Carine: Sim, foi incrível. Me senti em um parque de diversões. Trabalhar 10 dias consecutivos nesse mundo fantástico dos livros, ao lado de outros escritores e conhecer novos leitores todos os dias, foi um sonho. E o livro ainda teve a primeira edição esgotada antes do previsto.

2- Em média, quantas pessoas lhe visitaram por dia?

Camila: No sábado, dia 05/09, tivemos um encontro de autoras da Suma de Letras e Seguinte, selos do Grupo Companhia das Letras. O evento contou com, além da minha presença, Juliana Parrini, Raphael Montes e Capitolina, e ocorreu por volta das 20h, ou seja, um pouco tarde, mas para minha surpresa, quando cheguei ao auditório, uma fila já se formava aguardando a entrada ser liberada. Foram mais de 300 pessoas, e ficamos no local até às 22h.

No segundo dia (06/09) foi realizada uma sessão de autógrafos no estande da Companhia das Letras. O planejado era começar às 19h30min, mas devido a quantidade de pessoas que estavam aguardando, comecei a autografar às 16h, ficando no estande até pouco mais das 21h. Não sei precisar a quantidade de pessoas, mas foram 5 horas de autógrafos.

Da mesma forma foi no dia 07/09, quase 3 horas de autógrafos e fotos. E, mesmo fora de eventos oficiais da editora eu visitei estandes e autografei em qualquer lugar em que passava.

Carine: Não cheguei a calcular quantas pessoas por dia, mas várias me procuraram ao longo da feira dizendo que me conheciam do facebook ou do Wattpad, foi sensacional.

3- Quantos livros possui publicados? Houve lançamento de algum livro novo? Qual?

Camila: Tenho três livros publicados. Em 2014 foi lançado da duologia O Amor não tem leis, e nesse ano, em Abril, lançamos 8 segundos. Foram esses livros que autografei na Bienal.

Duologia o Amor não tem leis

8 Segundos

Carine: Possuo dois livros publicados, O Penhasco em formato físico e Olhar de Fogo em ebook.

O Penhasco

Olhar de fogo

4- Dos autógrafos que deu, qual dos seus livros foi o mais autografado?

Camila: Acredito que, por ser o mais recente, 8 segundos tenha sido o livro mais autografado.

Carine: Somente O Penhasco, por ser o único em formato físico.

5- Como sabemos, nem tudo são flores… Houve alguma situação ou momento que se sentiu desconfortável ou não gostou de algo? Se sim, justifique.

Camila: Não tive nenhum momento que não tenha gostado. Os únicos momentos em que me senti desconfortável foram quando ia aos eventos de outras autoras. Acabava tumultuando a fila, tirando foto e autografando livros. E, por isso não me sentia muito bem “bagunçando” os eventos das colegas (risos).

Carine: Apenas a organização das filas de entrada e o fato dos autores credenciados serem obrigados a dar uma volta imensa todos os dias para entrar no RioCentro.

6- Quando começou a escrever seus livros, imaginava que um dia estivesse na Bienal?

Camila: Quando comecei a escrever eu sequer imaginava ser escritora, que dirá estar em uma Bienal. Foi, com certeza, o ápice de toda minha recente carreira como escritora.

Carine: Nunca! Rs Quando comecei, tinha apenas o sonho de concluir um livro.

7- O que você mais gostou dessa experiência? A viagem, os fãs, ou o reconhecimento e notoriedade?

Camila: Antes da Camila escritora existe a Mila leitora. Estar em uma Bienal já é fascinante pelo simples fato de vivenciar, nem que seja por um dia, tudo que aquele local nos reserva. E, poder fazer isso tendo seu livro exposto em uma das maiores editoras é ainda mais gratificante. Tudo foi especial para mim. Eu amo o Rio de Janeiro, e fiz amigos verdadeiros nessa cidade, amigos que antes conhecia apenas através dos livros, e das redes sociais, e que hoje fazem parte da minha vida. Viajar com minha irmã e meu namorado também me ajudou muito, tornando tudo mais divertido. Mas, com certeza, os encontros com meus leitores foram os momentos mais felizes que tive durante a Bienal.

Carine: Eu diria que tudo! Rs. Mas por ordem, o carinho dos leitores (porque sem eles, o livro não existe), o reconhecimento e a notoriedade.

8- Pôde conhecer algum outro autor que gostava muito? Se sim, qual e como foi?

Camila: Sim. Além de rever a Babi Barreto, uma escritora mineira que sou apaixonada, eu também tive o prazer de ter a Juliana Parrini ao meu lado em todos os eventos. E conheci autoras que admiro muito e que passei a ter um carinho especial depois que as conheci pessoalmente: Bianca Briones e Babi A. Sette me deixaram apaixonada.

Carine: Pude! Além de encontrar diversos autores nacionais divos, consegui conhecer Josh Mallerman, autor de Caixa de Pássaros, um livro que adorei.

9- Psicologicamente deve ter sido uma experiência incrível, ter seu trabalho reconhecido e ser querida por seus leitores, mas e quanto ao desgaste físico? Foi muito exaustivo? O que lhe cansou mais, a viagem ou ter que ficar por horas sentada, na Bienal?

Camila: A viagem em si já me cansa muito. Eu moro no interior do MT, e para chegar ao Rio de Janeiro às 18h, tive que sair da minha cidade à 1h, ou seja, de madrugada. São 6 horas de ônibus até chegar em Cuiabá, de lá peguei o voo para Brasília, e só então voei para o Rio. A Bienal foi bem cansativa. O local do evento era muito afastado de onde estávamos hospedados, e devido às obras para as Olimpíadas, o trânsito era imenso, chegando a levar 2 horas de viagem.

No primeiro dia não fiquei muito cansada, mas tive um “probleminha”. Fiz uma homenagem a minha personagem de 8 segundos, a Pietra, e usei botas texanas. Foram 10 HORAS de Bienal usando botas. Cheguei em casa com os pés cheio de bolhas.

No último dia, o cansaço chegou, o que era de se esperar, mas tudo, cada segundo, valeu a pena. Eu faria tudo novamente sem pensar duas vezes.

Carine: Eu viajava duas horas por dia para ir e duas para voltar, além de passar o dia todo de pé. Mas acho que o fato de ser pela Bienal renovava minhas forças diariamente. Claro que quando chegou ao fim, passei um dia inteiro deitada no meu quarto rs.

10- Tem vontade de repetir a experiência daqui dois anos? De 0 à 10 como classificaria?

Camila: Posso te responder; Claro, sim ou com certeza. 9, pois queria ter ficado mais dias.

Carine: Demais! E com certeza darei um jeito de estar na de SP também! 11! Mil vezes 11.

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