Publicado em Histórias Do Milagre

Milagre – Parte 5 “Pior Notícia”

 5° Dia

Pedi ao Rafael que me encontrasse na clínica, afinal estávamos juntos nessa. Quando a veterinária nos chamou na sala para mostrar o Raio X do Milagre, conforme ela ia explicando eu comecei a chorar ali mesmo… aquele cachorro estava condenado! Abaixo segue a foto do Histórico dele, de quando demos entrada na Clínica:

historico-veterinario-canino

Como não entendo termos técnicos, pincelarei o que dizia no exame de Raio X:

– Fratura múltipla do acetábulo direito;

– Fratura em asas do sacro, com deslocamento cranial das articulações;

– Fratura completa em tuberosidade isquiática direita e ramo cranial do púbis esquerdo;

-Fratura segmentar em ísquio esquerdo;

– Fratura completa em porção caudal do sacro, com desvio do eixo ósseo e comprometimento do canal medular;

– Luxação;

– Fratura em processo articular caudal de L7;

– Esclerose do acetábulo esquerdo;

– Alteração morfológica do colo femoral esquerdo;

– Presença de sonda uretral.

Resumindo o que entendi: ele estava com a lombar destruída, coxal todo arrebentado, e da forma como estava,  não conseguiria nem defecar sozinho! E em meio a tantas notícias ruins, disse que seria preciso fazer outra cirurgia o quanto antes, onde teríamos que desembolsar mais uns R$1.700 mais ou menos…! Meu Deus porque tudo tinha que ser tão difícil??! Porquê eles não tiveram a eficácia de ver isso antes?! Porquê falavam tudo por etapa?!

O Rafael se manteve contido durante toda a explicação do resultado do Raio X, e quando a veterinária nos deixou a sós para pensarmos o que faríamos, ele me disse que a partir daquele momento estava “tirando o seu time de campo”, pois já havia gastado tudo que podia com o cachorro e que achava melhor que o sacrificássemos.

Eu não sabia o que fazer da minha vida (ou melhor da vida do Milagre) pois ao mesmo tempo que não tinha mais condições de arcar com tudo aquilo, não queria que depois de tudo que fizemos, tivéssemos que sacrificar afinal! Eu estava em frangalhos. Não podia mais contar com o Rafael, e naquele dia eu teria que levar o Milagre de lá. A veterinária pediu que retornasse com ele no dia seguinte para que fizesse a avaliação da outra cirurgia, e não poderia deixá-lo direto senão cobrariam mais um dia de internação. Me passou uma vasta lista de remédios que eu teria que providenciar para o dia seguinte as oito da manhã, e devo dizer que nunca vi tanto remédio na minha vida!!

Era a primeira vez que o via depois do acidente e confesso que foi muito estranho vê-lo sem a pata! Eu sabia que seria removida, mas imaginei que ficaria algum “cotoco” já que ela tinha sido fraturada ao meio, e o que vi foi como se aquela pata nunca tivesse existido!! Tiraram-na por inteiro!! Foi muito estranho vê-lo daquela forma, não era uma visão muito bonita de se ver. A veterinária o entregou para mim e o peguei com o maior cuidado possível.

cachorro-com-pata-amputada-tres-patas

Como o Rafael “lavou as mãos” a partir daquele momento, acabei tendo que levar o Milagre para minha casa (sendo que no plano inicial ficaria com Rafael). O percurso de volta foi difícil, pois ele gemia alto de dor nas lombadas e quando desci do carro tinha urinado na minha blusa. Uma coisa eu nunca irei esquecer nesse dia: quando estávamos ainda no carro a caminho da minha casa, o Rafael disse com pesar: “ele já te olha como se fosse a dona dele”.

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Milagre – Parte 4 “Complicações”

Cheguei em casa e postei no Facebook sobre o cachorro, pois ele tinha coleira, e estava com “gravata de pet shop” que são aquelas gravatas que dão quando os cachorros tomam banho, até perguntei para alguns amigos do bairro, mas ninguém sabia quem seria seu dono.

2° Dia

No dia seguinte (domingo), liguei na clínica para saber se tinham novidades. E a veterinária já me veio com outra má notícia… Disse que ele estava apresentando “alterações neurológicas”, que não respondia a estímulo nenhum! Não comia, não se mexia e ficava com o olhar perdido. Me explicou que dependendo de como foi o atropelamento, poderia ter batido a cabeça, e que se fosse isso mesmo, não adiantaria fazer cirurgia, pois seria caso perdido, disse que seria preciso fazer um outro exame, e pediu minha autorização. Concedi. Desliguei o telefone pedindo a Deus que não deixasse ser isso.

3° Dia

Liguei novamente e a veterinária, disse que o cãozinho já estava bem melhor (no quesito neurológico) que já acompanhava com os olhos e tentava se levantar! Que provavelmente estava imóvel antes devido a dor. Não foi preciso fazer nenhum exame, e naquele dia a tarde, seria feito o procedimento cirúrgico. Fui até lá depois do serviço para vê-lo, mas não consegui, pois disseram que ele tinha acabado de entrar em cirurgia (houve atraso).

4° Dia

Liguei para saber como tinha sido e como ele estava, e adivinhem? Mais complicações! A veterinária explicou que tinha dado tudo certo, entretanto ele não estava conseguindo se levantar, e estavam desconfiados que as patas de trás, também tivessem sido afetadas pelo acidente. Disse que seria preciso fazer um raio X. Concedi que fizessem, e no dia seguinte quando fui buscá-lo só tive mais notícias amargas… 😦